Coopercitrus e Sistema Campo Limpo: compromisso conjunto com a destinação correta e o futuro do agro

Com quase cinco décadas de atuação no agronegócio brasileiro, a Coopercitrus construiu uma trajetória marcada pelo cooperativismo, pela proximidade com os produtores rurais e pelo compromisso com o desenvolvimento sustentável. Presente em quatro estados e com mais de 42 mil cooperados, a cooperativa atua de forma integrada em diferentes frentes, que contempla a produção até a comercialização, sempre com foco em governança, inovação e respeito ao meio ambiente.
Integrante do Sistema Campo Limpo, a Coopercitrus tem papel estratégico no fortalecimento da logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas, contribuindo ativamente para a destinação ambientalmente adequada desses materiais. Confira abaixo a entrevista exclusiva com Fernando Degobbi, CEO da Coopercitrus, que comenta a importância da responsabilidade compartilhada entre os elos da cadeia agrícola e como educação e boas práticas no campo são fundamentais para impulsionar um agro cada vez mais sustentável, alinhado ao propósito de buscar por um destino melhor.

- A Coopercitrus tem uma grande história no agronegócio brasileiro. Como é o trabalho e os principais objetivos da cooperativa atualmente?
A Coopercitrus vai completar 50 anos em 2026 e possui uma história muito importante. Nasceu em Bebedouro e hoje temos uma atuação que ultrapassa o estado de São Paulo. Também estamos presentes em Minas Gerais, Goiás e, há dois anos, em Mato Grosso, com uma unidade em Primavera do Leste.
Somos a maior cooperativa do Brasil em número de cooperados: 42 mil. Trabalhamos com todas as culturas, de forma bastante diversificada, com uma característica importante: mais de 80% da nossa base é formada por produtores de baixa e média escala.
Temos seis unidades de fábricas de rações, silos para grãos, armazéns de café, com expectativa de movimentar 1 milhão de sacas, adquiridas dos cooperados e comercializadas no mercado, além de unidades de revenda de máquinas. Vendemos mais de 1.200 tratores no último ano, implementos agrícolas, defensivos agrícolas, sementes e atuamos fortemente na área de tecnologia agrícola, agricultura de precisão e drones.
Contamos ainda com a nossa fundação, que é o braço ESG, com ações ambientais, recuperação de nascentes de água, aplicativos, além do braço educacional, com parceria com a FATEC e ETEC, e de outros projetos, oferecendo curso superior tecnólogo e curso técnico agrícola. A cooperativa tem um papel social muito importante nas regiões onde atua e temos números que comprovam isso por meio de relatórios e indicadores: onde o cooperativismo é mais forte, os índices de desenvolvimento humano também são mais elevados nos municípios.
O principal objetivo é dar todo o suporte que o produtor precisa, sempre trazendo o contexto ESG para dentro da propriedade, com foco em sustentabilidade, redução de impactos ambientais e boa governança.
- Como se dá a participação da Coopercitrus no Sistema Campo Limpo e por que essa parceria é estratégica para fortalecer a logística reversa no campo?
Recebemos mais embalagens do que vendemos, atuando como um verdadeiro hub de logística reversa. Fazemos investimentos constantes para receber todo o mercado em que atuamos.
Temos centrais de embalagens e postos de recebimento em várias cidades. Em 2024, firmamos um comodato com o inpEV, entendendo que se tratava de uma proposta bastante interessante para ajudar na gestão. Credenciamos várias unidades e passamos a atuar de forma conjunta, inclusive com outras empresas parceiras, como a Apamig.
Monitoramos todo o processo de licenciamento ambiental e seguimos esse trabalho de perto, em conjunto com o Instituto. Houve muito investimento no passado e esse foi um passo importante, pois entendemos a relevância de fortalecer as ações do Sistema Campo Limpo.
- A proximidade com os agricultores é uma característica das cooperativas. Como funciona essa relação?
No modelo cooperativista, o dono é o cooperado e este entende que a Coopercitrus é a casa dele e espera sempre o melhor, e esse é exatamente o nosso objetivo: colocar o produtor e o agricultor no centro de todas as estratégias.
Essa proximidade acontece de forma natural, porque, a partir do momento em que ele se torna cooperado, existem algumas obrigações, atendimentos a especificações e cadastro, o que já cria uma relação próxima desde o início, inclusive para ajudá-lo nas melhores decisões.
Temos uma fintech que atua como um braço de apoio aos produtores, auxiliando na análise de alternativas financeiras, sucessão e estruturação jurídica, além de orientar sobre o relacionamento com empresas, oferecendo chancela de uma empresa especializada. Isso ajuda o produtor a demonstrar melhor seus resultados, entender sua operação, trabalhar de forma mais eficiente e apresentar números de maneira correta e transparente, garantindo acesso ao crédito e evitando inadimplência.
Além dos cursos já citados, que são noturnos e permitem que produtores e filhos de produtores participem, oferecemos cursos superiores e técnicos. Também temos cursos operacionais: mais de 1.000 operadores de drones certificados, instrutores credenciados e cinco professores aptos a ministrar essas capacitações. Observamos uma grande demanda, especialmente de mulheres, já que o uso de drones na agricultura cresce rapidamente.
Oferecemos ainda cursos para mecânicos, operação de máquinas, capacitação e manutenção nas próprias propriedades. Ao todo, são mais de 32 cursos de curta duração oferecidos por meio da nossa fundação.
- Quais ações conjuntas com o Sistema Campo Limpo a Coopercitrus destaca como fundamentais para engajar os produtores e ampliar os impactos positivos para o meio ambiente?
Há um grande histórico de ações nas escolas, grandes eventos, como o Dia Nacional do Campo Limpo, além do engajamento dos produtores e das comunidades para reforçar a importância de manter o campo sem resíduos e sem embalagens, cuidando dos rios e do meio ambiente.
Essas iniciativas começam nas escolas primárias, com crianças, passam pelas unidades filiadas e chegam até grandes eventos, nos quais já lideramos diversas ações para destacar essa importância. São algumas ações conjuntas que realizamos.
- O Sistema Campo Limpo celebra o marco das 900 mil toneladas de embalagens vazias destinadas corretamente desde 2002. O que esse número significa para a Coopercitrus?
Significa uma atuação conjunta que mostra resultados e nós estamos juntos desde o início. A Coopercitrus é uma das maiores comercializadoras de insumos e somos referência nesse processo. Ter essa parceria e participar dessa iniciativa é muito importante e gratificante para nós.
Fazemos parte dessa história e ficamos muito contentes e orgulhosos em prestar esse serviço para a comunidade e para os produtores. Trata-se de uma visão de responsabilidade e futuro que existiu há mais de 20 anos, com a criação do Sistema Campo Limpo, e colhemos hoje esses frutos.
- O Sistema Campo Limpo adota a assinatura “Por um destino melhor”. Como a Coopercitrus enxerga o futuro dessa participação e quais avanços podem ser esperados em sustentabilidade e boas práticas agrícolas?
Essa assinatura é muito pertinente e feliz, porque, quando pensamos na cadeia de produção agrícola, ela é extremamente complexa. Existem muitas etapas até o produto chegar ao consumidor final.
Os consumidores querem saber cada vez mais de onde vem o alimento, como foi produzido, qual foi o manejo adotado, quais práticas estiveram envolvidas, além de demonstrarem preocupação com governança e sustentabilidade. O produtor, o comprador e o cliente valorizam cada vez mais uma cadeia que monitora esses processos, entrega rastreabilidade e oferece um produto sustentável na ponta.
Entendo que a assinatura “Por um destino melhor” vai além da embalagem: ela fala do destino da produção, do produtor e do próprio agronegócio. É uma mensagem muito interessante, porque o agronegócio brasileiro caminha justamente para esse destino melhor e mais sustentável.
- Espaço aberto para considerações finais
Vemos muitos avanços na agricultura e como em tudo no mundo, existem ciclos, alguns de alta e outros de baixa, mas nunca podemos perder de vista o que aprendemos e as práticas que sabemos que são boas para os negócios e para os resultados.
O agricultor, mais do que ninguém, sabe da importância de adotar ações sustentáveis. É um negócio que passa de geração para geração, e vemos novas gerações cada vez mais interessadas no agro e mais engajadas com a sustentabilidade.
O que é um desafio para outros países, o Brasil já vivência de forma positiva: muitos jovens interessados nessa área. Isso fará com que o ciclo continue virtuoso no agronegócio. Para isso, dois pontos são fundamentais: tecnologia e sustentabilidade.