Entrevista com Nilto Mendes, Gerente de Combate a Produtos Ilegais da CropLife Brasil

“Acreditamos que por meio da conscientização, além de mais fiscalização e repressão, vamos reverter a utilização de insumos ilegais”

Nilto Mendes é bacharel em Direito pela Universidade São Judas Tadeu. Iniciou a carreira no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), onde atuou por três anos. Depois, foi para a Polícia Federal, por 22 anos, onde desempenhou funções nas áreas de Inteligência Policial, Polícia Judiciária e Polícia Administrativa. Atualmente, ocupa a gerência de Combate a Produtos Ilegais na CropLife Brasil.  

A entidade lançou, neste ano, a campanha Agricultor de Valor, que visa orientar agricultores sobre os riscos da utilização de insumos ilegais no campo. O inpEV é parceiro da CropLife nesta mobilização. Em entrevista ao Informativo do Sistema Campo Limpo, Nilto conta um pouco mais sobre a campanha e em relação à atuação da organização.  


1) O que motivou a campanha Agricultor de Valor? 

Os insumos de origem ilegal se tornaram uma grande ameaça para a agricultura brasileira e para a saúde humana. Por isso, é preciso conscientizar produtores rurais da gravidade da situação e disponibilizar canais para denúncias dessas práticas ilegais. Assim nasceu a campanha da CropLife Brasil (CLB), Agricultor de Valor, cujo objetivo é orientar agricultores sobre os riscos da utilização de insumos ilegais nas lavouras. Além dessa conscientização no campo, a CLB realiza um curso de capacitação para agentes de segurança pública e privada e fiscais agropecuários e ambientais que atuam nas áreas de combate à produção, circulação, comercialização e uso de insumos agrícolas ilegais, para agirem com máxima efetividade nas operações. O curso foi desenvolvido em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e conta com o apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil. 

2) Como está a mobilização e a capilaridade da campanha? 

A campanha visa mobilizar e engajar produtores rurais com o maior número de informações e conteúdo. Acreditamos que por meio da conscientização, além de mais fiscalização e repressão, vamos reverter a utilização de insumos ilegais. Os agricultores de valor devem entender como agir e reagir a insumos agrícolas ilegais. E para isso temos produzido materiais de campanha e promovido ações educativas, por meio das nossas redes sociais proprietárias, e de mobilização, em conjunto com a indústria. Os resultados têm aparecido, seja por meio das denúncias que temos recebido, seja pela atuação dos órgãos de segurança pública e fiscalização. A apreensão e destinação de defensivos ilegais no Brasil mais que dobrou. De 301 toneladas apreendidas em 2020 e 2021 chegou a 784 toneladas em 2022 e 2023. 

3) Como funciona o canal de denúncias e quais encaminhamentos são dados? 

O canal de denúncias está disponível no site da CropLife Brasil e é 100% anônimo e seguro. Uma vez que a pessoa identifica o uso, transporte, comercialização ou armazenamento de produtos ilegais, ela pode acessar o site e responder um breve questionário para finalizar a denúncia. Uma vez realizada, encaminhamos às autoridades responsáveis para averiguação.  

4) Quais os principais impactos do uso desses produtos ilegais no campo? 

A utilização de insumos ilegais coloca em risco as lavouras, a saúde humana e o meio ambiente. Além disso, traz prejuízos socioeconômicos, que afetam a qualidade dos alimentos, a geração de empregos e a arrecadação de impostos. O investimento no desenvolvimento de novas tecnologias e produtos também é afetado diretamente pela aceitação dos insumos ilegais. 


5) Que outras ações a CropLife Brasil têm desenvolvido a fim de promover boas práticas no agro? 

Além do combate ao mercado de insumos ilegais e a parceria com o Sistema Campo Limpo, gerido pelo inpEV, a CLB atua em projetos educativos como o Curso de Habilitação de Aplicadores de Defensivos Agrícolas, realizado por meio de uma rede de parceiros, como o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) e a EMATER, cujo objetivo é habilitar agricultores e trabalhadores rurais por meio da disseminação de boas práticas agrícolas e orientações sobre a aplicação correta de defensivos químicos e biológicos, promovendo a agricultura sustentável. O curso é realizado no contexto do Programa Nacional de Habilitação de Aplicadores de Agrotóxicos (Aplicador Legal), do Ministério da Agricultura e Pecuária. 

A CropLife Brasil também é parceira da Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (A.B.E.L.H.A.), que desenvolve diversas ações, como treinamentos e ações educativas com o SENAR e a Embrapa Meio Ambiente para promover as boas práticas apícolas e agrícolas. Os incidentes com abelhas e outras criações, como o bicho da seda, estão, na maioria, associados à pulverização incorreta de inseticidas. São problemas localizados e que não podem ser atribuídos apenas à aviação agrícola e ao uso de defensivos. 

Operadores de Postos de Recebimentos de Rondônia e Acre recebem treinamento

Ao todo, 25 colaboradores participaram da capacitação relacionada a procedimentos operacionais, sistemas e segurança

O inpEV realizou, nos dias 13 e 14 de dezembro, um treinamento sobre ações operacionais na Central de Recebimento de Cacoal, em Rondônia. A atividade contou com a participação de 24 operadores de 13 postos de recebimento de Rondônia e um do Acre. A capacitação foi ministrada pelo Coordenador Regional de Operações do inpEV, Hamilton Flandoli, e por Jéssica Torezani, supervisora da Central de Cacoal, em Rondônia. Houve ainda a participação do Sargento Hildo Simão dos Santos, do Corpo de Bombeiro de RO, que deu instruções sobre primeiros socorros.  

Os participantes receberam orientações sobre procedimento operacional para postos, agendamento eletrônico de devolução de embalagens vazias (adEV) e segurança na operação. O Sistema de Informação de Postos (SIP) também foi destacado, com apontamentos de indicadores, melhorias e percepções dos usuários.  

“Esse treinamento visa a melhoria operacional da devolução das embalagens vazias. O Sistema Campo Limpo realiza um trabalho de excelência e buscamos sempre aprimorar os processos nas unidades de recebimento”, ressaltou Hamilton Flandoli. 

inpEV divulga vencedores de concurso de redação e desenho do PEA Campo Limpo

Com o tema “Casa Ecoeficiente”, seis trabalhos, produzidos por alunos dos 4º e 5º anos do ensino fundamental, foram reconhecidos

O Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV) divulgou, na última quarta-feira (18/10), os vencedores dos concursos de redação e desenho do Programa de Educação Ambiental (PEA) Campo Limpo. Foram reconhecidos seis trabalhos – três redações e três desenhos – produzidos por alunos dos 4º e 5º anos do ensino fundamental, dos estados da Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo.    

Os concursos de desenho e de redação integram o conjunto de atividades propostas para as escolas participantes do PEA Campo Limpo, cujo foco é a responsabilidade compartilhada pela gestão dos resíduos sólidos. Após entrarem em contato com o conceito da ecoeficiência, abordado na edição de 2023 do PEA, os estudantes tiveram o desafio de produzir os trabalhos com tema “Casa Ecoeficiente”.    

“Na edição deste ano, o PEA atingiu mais de 261 mil alunos em todo o Brasil. Nesses excelentes trabalhos apresentados nos concursos, os estudantes imprimem os conteúdos abordados em sala de aula e refletem sobre a importância da adoção de práticas sustentáveis em suas vidas”, destaca Marcelo Okamura, presidente do inpEV.    

Os concursos contaram com a participação de alunos de instituições de ensino de 19 estados brasileiros, localizadas no entorno de 100 unidades de recebimento de embalagens vazias que integram o Sistema Campo Limpo. Os desenhos foram elaborados pelos alunos do 4º ano e as redações pelos estudantes do 5º ano.  

Após passarem por uma etapa local, realizada pelas unidades de recebimento, um total de 157 trabalhos foram selecionados para a etapa nacional. Por fim, uma comissão julgadora – formada por educadores, jornalistas e designers – escolheu os seis trabalhos vencedores.    

Confira, abaixo, os trabalhos selecionados: 

inpEV conquista Selo Bronze no programa GHG Protocol

A solenidade de lançamento da publicação dos inventários de emissões de gases do efeito estufa (GEE), do Ciclo 2023, do GHG Protocol, ocorreu na terça-feira (24/10), em São Paulo

O Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV) acaba de ser reconhecido com o Selo Bronze no Programa Brasileiro GHG Protocol, desenvolvido pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade (FGVces), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), e World Resources Institute (WRI). Em seu primeiro ano de participação, o inpEV apresentou um Inventário de emissões de gases de efeito estufa (GEEs) no Registro Público de Emissões do programa. 

A solenidade de lançamento da publicação dos inventários do Ciclo 2023 ocorreu na terça-feira (24/10), no Evento Anual do Programa Brasileiro GHG Protocol, realizado no Auditório da FGV EAESP, em São Paulo. 

O Inventário é um diagnóstico realizado para determinar as fontes de emissões das atividades produtivas e quantificar o lançamento na atmosfera. Fazer essa contabilidade significa organizar corretamente a quantidade de emissões e suas origens, fundamental para que as organizações cumpram seus acordos e metas de descarbonização. 

“O Inventário é o primeiro passo que damos para avançarmos em ações cada vez mais sustentáveis, nesse caso com foco na descarbonização da economia. Com isso, estamos também cumprindo um compromisso firmado no nosso Relatório de Sustentabilidade, ao mapearmos e quantificarmos nossas emissões de gases do efeito estufa para destinar corretamente as embalagens de defensivos agrícolas pelo Sistema Campo Limpo”, destacou Marcelo Okamura, presidente do inpEV. 

O Programa Brasileiro GHG Protocol foi criado em 2008 e é responsável pela adaptação do método ao contexto brasileiro e pelo desenvolvimento de ferramentas de cálculo para estimativas de lançamentos de gases do efeito estufa (GEE). Um de seus objetivos é estimular a cultura corporativa de Inventário de emissões de GEE no Brasil para uma agenda de enfrentamento às mudanças climáticas nas organizações.

inpEV participa de evento no Peru

O presidente do Instituto, Marcelo Okamura, ministrou palestra, no dia 29 de novembro, no X Congresso da REDEMPA e do I Congresso Internacional de Fiscais de Controle

O Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV) esteve presente no X Congresso da REDEMPA (Rede Latino-americana de Ministério Público Ambiental) e do I Congresso Internacional de Fiscais de Controle, que ocorreu de 29 de novembro a 1º de dezembro, em Lima, no Peru. 

O presidente do inpEV, Marcelo Okamura, participou da mesa “Objetivos do Desenvolvimento Sustentável na América Latina”, realizada no primeiro dia do evento. “Foi uma ótima oportunidade de compartilharmos o case de sucesso que é o Sistema Campo Limpo, para um público muito qualificado.”, destacou Marcelo Okamura, presidente do inpEV. 

O congresso teve como tema “Governança Ambiental e Controle Funcional na América Latina” e reuniu palestrantes de diversos países, como representantes do Ministério Público e ambientalistas. Houve também debates de temas como: “Corrupção e meio ambiente”, “Desastres naturais e proteção do meio ambiente”, “Cidadania e governança ambiental”.

inpEV participa da Semana Lixo Zero, da UFMS

No evento acadêmico, representantes do Instituto ministraram palestras sobre o Sistema Campo Limpo e economia circular

O Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV) esteve presente na Semana Lixo Zero, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. A Gerente de Sustentabilidade, Marilene Iamauti, a Coordenadora de Educação, Fernanda Cardozo, e o Coordenador Regional de Operações, Hamilton Flandoli, ministraram palestras sobre o Sistema Campo Limpo e economia circular.  

Os palestrantes abordaram o conceito de economia circular e relacionaram às atividades desenvolvidas pelo inpEV, por meio do Sistema Campo Limpo, destacando a estrutura, os resultados e impactos positivos gerados pelo programa, que é referência mundial em logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas.  

“Tivemos oportunidade de falar com um público diverso, formado por estudantes de vários cursos, para além do agro. Os participantes estavam realmente muito interessados no tema e fizeram questionamentos relevantes”, observou Hamilton Flandoli.  

A Semana Lixo Zero, da UFMS, ocorreu de 16 e 28 de outubro, com atividades de conscientização ambiental e coleta de resíduos na Cidade Universitária e nos Campi. A programação contemplou oficinas, palestras, rodas de conversa e a arrecadação de materiais recicláveis, lixo eletrônico e medicamentos vencidos. 

SIPAT mobiliza colaboradores do Sistema Campo Limpo

Atividades contaram com a participação de cerca de 850 integrantes de centrais, postos e do setor administrativo do inpEV

“A Segurança está em suas mãos”. Esse foi o tema da 5ª Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (SIPAT) do Sistema Campo Limpo, realizada de 27 de novembro a 1º de dezembro. Cerca de 850 colaboradores participaram das palestras, dinâmicas e treinamento que integraram o evento. A edição deste ano da SIPAT envolveu 102 centrais e 125 postos de recebimento, que fazem parte do Sistema, além de equipes da sede em São Paulo. 

As atividades tinham o objetivo de conscientizar os participantes sobre o cuidado com as mãos, a principal ferramenta de trabalho dos colaboradores. As palestras abordaram os seguintes temas: segurança no trânsito, ergonomia, acidente de trabalho, prevenção ao alcoolismo e tabagismo e dependência digital. Houve também um treinamento relacionado à proteção das mãos, que reforçou os cuidados necessários para evitar acidentes de trabalho que envolvam as mãos. 

“A SIPAT é essencial e visa uma mudança de cultura e comportamento na organização. A segurança representa um importante valor do Sistema Campo Limpo e deve estar presente no nosso dia a dia”, observou Michael Silva, Técnico de Segurança do Trabalho do inpEV.

Museu do SCL recebe estudantes da Unesp de Jaboticabal (SP)

Ao todo, 73 alunos do curso de agronomia visitaram a unidade nos dias 4 e 5 de outubro

O Museu do Sistema Campo Limpo, em Guariba (SP), abriu suas portas para 73 alunos do curso de agronomia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Jaboticabal (SP). Os universitários, acompanhados de três professores, estiveram presentes na unidade nos dias 4 e 5 de outubro, para conhecer a história do Sistema Campo Limpo e o funcionamento do processo de logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas.  

O grupo também visitou a Central de Recebimento de Embalagens Vazias de Guariba, para conferir, na prática, parte da operação do Sistema Campo Limpo. “Foi uma ótima oportunidade para os estudantes conhecerem o inpEV e o Sistema Campo Limpo. É muito importante que alunos do curso de agronomia sejam também multiplicadores do Sistema. Afinal, eles têm a missão de educar e conscientizar agricultores e outros integrantes do setor rural”, destaca Fernanda Cardozo, coordenadora de Educação do inpEV.  

“A visita foi muito esclarecedora. Não conhecia o inpEV e nem o Sistema Campo Limpo. Realmente foi muito interessante ver a história e como essa tecnologia mudou a forma como os materiais são reciclados”, avalia João Pedro Kazuo, estudante do curso de agronomia da Unesp.  

Como visitar o Museu? 

Os interessados em visitar o Museu podem fazer o agendamento pelo link https://inpev.org.br/inpev20anos/museu/. As visitas são voltadas principalmente para os elos da cadeia do Sistema, além da comunidade escolar e pessoas interessadas em aprender na prática a importância da economia circular e a logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas.  

Entrevista com o professor Eduardo Murakami

“Hoje, da mesma forma que não se admite uma educação que não seja antirracista, não há espaço para uma educação que não dialogue com as questões ambientais”, destaca o responsável pelo Núcleo de Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, Eduardo Murakami

Eduardo Murakami é mestrando em Ensino e História da Ciência pela Universidade Federal do ABC (UFABC), Especialista em Ensino de Ciências e em Educação em Direitos Humanos, também pela UFABC, além de Bacharel e Licenciado em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual Paulista (UNESP/RC). Atua como professor de Ciências da Rede Municipal de Educação da cidade de São Paulo e é um dos responsáveis pelo Núcleo de Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Educação (NEA/DC/COPED/SME). 

O inpEV, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, está oferecendo, até mês que vem, a formação “Educação Ambiental Crítica: responsabilidade compartilhada na gestão dos resíduos sólidos – conceitos e práticas pedagógicas”. Cerca de 500 professores da rede municipal participam do curso, em formato de Educação à Distância (EAD). Em entrevista ao Portal do Sistema Campo Limpo, Murakami destaca a importância dessas formações e da educação ambiental.  

1) Como surgiu a parceria com o inpEV para a realização das formações? 

Na época, eu trabalhava na Divisão Pedagógica de uma das 13 Diretorias Regionais da cidade de São Paulo e surgiu a possibilidade de uma parceria para abordar a questão dos resíduos sólidos junto aos professores da Rede Municipal de Educação. Como estava num órgão regional, passei essa informação aos responsáveis da Secretaria Municipal de Educação que deram sequência aos trâmites de formalização da parceria.  

2) Qual é a importância dessas formações que estão sendo oferecidas aos professores da rede municipal de São Paulo? 

Uma cidade como São Paulo tem inúmeras demandas quando tratamos das questões ambientais. Com toda certeza, a questão do descarte de resíduos é uma questão premente. Não há como organizar uma capacitação sobre Educação Ambiental se não ocorrer uma reflexão sobre resíduos sólidos. Nesta perspectiva, a formação continuada de professores é a garantia de que a temática será abordada nas unidades escolares. E, em consequência, os estudantes passarão por um processo de reflexão e ressignificação do resíduo, podendo, assim, adotar hábitos mais sustentáveis. 

3) Por que ter educação ambiental no currículo escolar? 

Para responder a esta questão precisamos entender qual concepção de Educação Ambiental é proposta. A Rede Municipal de Educação defende que as escolas trabalhem na perspectiva da Educação Ambiental Crítica. Com isso, pretende-se a análise da cidade e seus distintos territórios, refletindo-se sempre na perspectiva da complexidade, considerando-se todas as dimensões possíveis para se analisar um determinado fenômeno. Assim é importante se fazer uma reflexão não só da questão ambiental, mas da intersecção entre o ambiente e as questões políticas, econômicas e sociais.  

Portanto, ter Educação Ambiental no currículo escolar é, em primeira instância, garantir a obrigatoriedade da discussão dos temas que envolvem o ambiente, mas, acima de tudo, é garantir o acesso a uma educação de fato qualificada e contextualizada. Afinal, hoje, da mesma forma que não se admite uma educação que não seja antirracista, não há espaço para uma educação que não dialogue com as questões ambientais.  

4) Como você avalia as formações até aqui? 

As formações têm sido de extrema importância para a qualificação dos professores e para que a temática continue sendo discutida dentro da rede. Quando a gente fala em resíduos sólidos e em seu descarte, há uma simplificação da temática e, essas formações têm auxiliado na ressignificação do tema, permitindo a percepção de que o resíduo é só o fim de um processo, o que indica a necessidade de conscientização sobre o consumo e, assim, a consequente redução de materiais descartados. 

Para além do exposto, a qualidade das formações é indiscutível. Com professores e professoras muito qualificados, as abordagens múltiplas apresentadas possibilitam além da reflexão e construção do conhecimento, o aumento do repertório didático dos professores cursistas.  

5) Tem perspectiva de haver continuidade das formações nos próximos anos? 

A ideia é que a parceria seja mantida. Afinal, a Rede Municipal de Educação sempre se renova e as boas formações sempre serão bem-vindas.