Mês das Mulheres evidencia protagonismo feminino no agronegócio brasileiro

Com presença crescente no campo, na ciência, na gestão e em posições de liderança, elas impulsionam inovação, sustentabilidade e desenvolvimento no setor.

Se antes o setor agropecuário era visto como um ambiente somente masculino, hoje o cenário é mais diverso. Mulheres estão mais presentes no campo, na gestão das propriedades rurais, na pesquisa, na indústria, no poder público e em posições estratégicas dentro de empresas e instituições que impulsionam o setor.

De acordo com o Boletim Mercado de Trabalho do Agronegócio Brasileiro, elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a participação feminina no setor vem crescendo em ritmo mais acelerado que a masculina. Entre o segundo trimestre de 2024 e o mesmo período de 2025, a população ocupada feminina no agro aumentou 1,9%, o equivalente a cerca de 203 mil trabalhadoras. No mesmo intervalo, o crescimento entre os homens foi de 0,2%. Ao todo, elas já representam 38% da população ocupada no agronegócio brasileiro.

A presença feminina traz novas perspectivas para o setor, especialmente quando o assunto é gestão, sustentabilidade e cuidado com o ambiente de trabalho. A engenheira agrônoma e agricultora Andréia Piati Rodrigues, sentiu na pele as barreiras que as mulheres enfrentam para ingressar nesse universo e enxerga a contribuição feminina como um diferencial positivo.

Andréia Piati Rodrigues - Mês da Mulheres
Andréia Piati Rodrigues

“A presença feminina contribui muito porque a mulher tem um olhar diferenciado. Na verdade, nós nos complementamos com os homens. Em coisas às quais talvez o homem não dê tanta atenção, a mulher tem esse olhar mais cuidadoso”, explica. Segundo ela, essa característica aparece também nas práticas adotadas dentro das propriedades.

“O olhar atento da mulher aos detalhes contribui muito para os cuidados ambientais. Na nossa propriedade, por exemplo, eu observo sempre se tudo está sendo feito de forma sustentável, para que possamos manter essa agricultura por muitas gerações”, explica.

No contexto do Sistema Campo Limpo, programa brasileiro de logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas, que é referência mundial, essa participação também tem ganhado espaço em diferentes áreas.

Para Bianca Costa, Coordenadora da Central de Recebimento de embalagens vazias de Araraquara do inpEV, ampliar a presença feminina fortalece a diversidade dentro das equipes e contribui para decisões mais equilibradas. “A diversidade traz novas perspectivas, mais diálogo e decisões mais equilibradas, o que é fundamental quando falamos de sustentabilidade, tanto ambiental quanto social”, afirma.

Bianca Costa -  Mês da Mulheres
Bianca Costa

Segundo ela, esse movimento também reforça iniciativas que conectam produtividade e responsabilidade ambiental. “No Sistema Campo Limpo vemos na prática como o trabalho colaborativo entre diferentes profissionais fortalece uma cadeia comprometida com a destinação ambientalmente correta das embalagens de defensivos agrícolas e com um agro cada vez mais consciente.”

Desafios e oportunidades

Apesar dos avanços, ainda existem desafios para ampliar a presença feminina, especialmente em posições de liderança e tomada de decisão. A diretora técnica do Senar/MS, Mariana Urt, observa que o crescimento da participação das mulheres no campo vem acompanhado de novas demandas por capacitação e fortalecimento da gestão das propriedades.

Mariana Urt - Mês da Mulheres
Mariana Urt

“Embora a participação feminina no agronegócio esteja crescendo, ainda existem desafios relacionados ao acesso a oportunidades, capacitação e maior presença das mulheres em espaços de liderança e tomada de decisão. Ao mesmo tempo, há um cenário muito positivo de transformação, com mais produtoras assumindo a gestão das propriedades e buscando qualificação para fortalecer seus negócios. Quando investimos na capacitação e no protagonismo feminino no campo, ampliamos oportunidades.”

Andréia também enxerga os desafios enfrentados pela população feminina. “Muitas vezes, a mulher precisa exercer mais de uma função ao mesmo tempo. Chega um momento em que ela pode se encontrar em uma encruzilhada entre se dedicar à carreira ou estar mais presente na família. Cada uma faz suas escolhas e organiza a vida da forma que considera melhor, mas esse equilíbrio ainda é um desafio.”

Ao mesmo tempo, ela acredita que o potencial feminino no setor é cada vez mais reconhecido. “A mulher é focada, determinada e tem no DNA força e resiliência. Quando entende que tem competência para fazer algo, luta para fazer e fazer bem feito. Isso faz com que ela se destaque naturalmente nos ambientes em que atua.”

Com mais mulheres ocupando espaços no campo, nas empresas, na ciência e na gestão, o agronegócio brasileiro segue se transformando e se tornando cada vez mais preparado para os desafios do futuro.

Mitos e verdades: 5 dúvidas sobre logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas 

Quando o assunto é logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas, muita gente ainda fica na dúvida: pode jogar no lixo comum? Quem é responsável? Tem coleta nas portas das propriedades rurais? 

A verdade é que o Brasil construiu, ao longo de mais de 20 anos, um dos sistemas mais eficientes do mundo. E isso não é exagero. O Sistema Campo Limpo já garantiu a destinação ambientalmente adequada de mais de 900 mil toneladas de embalagens vazias desde 2002. 

O programa representa impacto ambiental positivo, geração de empregos, educação no campo e um modelo que virou referência global. 

Para esclarecer de vez as principais dúvidas, reunimos 5 mitos e verdades sobre o tema: 

A tríplice lavagem elimina os resíduos tóxicos e permite a reciclagem 

Verdade 

A tríplice lavagem é uma etapa fundamental para garantir que as embalagens rígidas possam seguir com segurança para a reciclagem. Ao realizar corretamente o procedimento logo após o uso do produto, o agricultor evita contaminação, reduz desperdícios e viabiliza a transformação daquele material em novos produtos.  

Hoje, 92% das embalagens vazias devolvidas são recicladas, enquanto o restante segue para rotas ambientalmente seguras, como coprocessamento e incineração. Nada fica sem controle. É a economia circular acontecendo de verdade, com embalagens retornando à cadeia produtiva como novas embalagens ou se transformando em um dos 38 artefatos homologados, como tubos para esgoto e postes de sinalização. 

A responsabilidade é apenas do agricultor 

Mito 

A logística reversa no Brasil é baseada no princípio da responsabilidade compartilhada. Isso significa que agricultores, canais de distribuição, indústria fabricante e poder público têm papéis definidos e complementares dentro do Sistema Campo Limpo. O agricultor é fundamental, claro, é ele quem faz a tríplice lavagem e devolve a embalagem vazia no local indicado na nota fiscal, dentro do prazo de até um ano. Mas o Sistema só alcança os resultados expressivos que vemos hoje porque todos os elos da cadeia assumem sua parte.  

Esse esforço coletivo se traduz em números concretos. Somente em 2025, foram 75.996 toneladas destinadas corretamente, o maior volume anual da história do programa, representando um crescimento de cerca de 11% em relação a 2024. É a prova de que, quando cada um faz sua parte, o resultado aparece. 

O Brasil é referência mundial em logística reversa 

Verdade 

 E com muito orgulho! Desde 2002, o Sistema Campo Limpo já garantiu a destinação ambientalmente correta de mais de 900 mil toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas, consolidando o Brasil como a maior referência global em logística reversa agrícola.  

Para ter uma dimensão desse volume, estamos falando de um peso equivalente a aproximadamente 2 milhões de bois de 450 kg.  Um marco construído ao longo de mais de duas décadas, com investimento constante, engajamento coletivo e uma estrutura preparada para a dimensão continental do país.  

Atualmente, o Sistema conta com mais de 400 unidades de recebimento, mais de 250 associações de revendas e cooperativas e ações de Recebimento Itinerante que ampliam o acesso em regiões mais remotas, impactando mais de 2 milhões de propriedades rurais.  

Não existe recolhimento nas portas das propriedades rurais 

Verdade 

O modelo brasileiro não prevê coleta porta a porta nas fazendas. A devolução deve ser feita pelo agricultor nas unidades indicadas na nota fiscal. Esse formato garante rastreabilidade, controle e segurança em todas as etapas do processo. Por isso, 100% das embalagens devolvidas ao Sistema Campo Limpo recebem destinação ambientalmente correta. 

Isso evita o descarte incorreto, afinal as embalagens não são descartadas, são devolvidas. Por isso o termo recolhimento também é errado. 

As embalagens vazias podem ser descartadas no lixo comum 

Mito 

As embalagens vazias de defensivos agrícolas devem ser lavadas (quando rígidas), inutilizadas e devolvidas no local indicado na nota fiscal de compra. A informação do ponto de devolução é obrigatoriamente informada na nota fiscal. 

O agricultor tem até um ano para devolver as embalagens vazias no endereço indicado, garantindo que elas entrem no fluxo correto do Sistema Campo Limpo. Descartar no lixo comum não é apenas incorreto, é ilegal e prejudicial ao meio ambiente. 

O Sistema Campo Limpo é prova de que, quando cada um faz a sua parte, o ciclo se fecha com segurança, rastreabilidade e impacto positivo para o meio ambiente e para as próximas gerações. Contribuindo por um destino melhor para todos.  

ARAGO amplia atuação no Norte Goiano e fortalece o Sistema Campo Limpo no estado 

Com atuação estratégica em uma das regiões que mais crescem em área agrícola no estado de Goiás, a Associação dos Revendedores Agropecuários do Centro Norte Goiano e Região (ARAGO) realiza, há mais de duas décadas, um trabalho sério e direcionado com a correta devolução das embalagens vazias de defensivos agrícolas, além de uma atuação focada com a sustentabilidade e a responsabilidade compartilhada. 

Em parceria com o Sistema Campo Limpo, a associação tem ampliado a estrutura de recebimento de embalagens vazias e investido em conscientização, diálogo com produtores e capacitação técnica, acompanhando a expansão da fronteira agrícola e contribuindo para a destinação ambientalmente adequada das embalagens vazias. Confira abaixo a entrevista exclusiva com o Antonio da Costa Júnior, presidente da ARAGO, que conta mais detalhes desta atuação. 

1- A ARAGO possui  uma trajetória marcante no estado de Goiás. Conte um pouco sobre a história e o trabalho realizado pela associação. 

A ARAGO reúne mais de 60 CNPJs entre distribuidores agrícolas e cooperativas que atuam nas regiões Centro-Norte e Norte Goiano, além do Vale do Araguaia Goiano. São 23 anos de história, sempre com o propósito de organizar a distribuição e fortalecer as boas práticas no setor. 

Atualmente, contamos com uma central de recebimento de embalagens vazias em Goianésia e um posto em Porangatu. Neste ano, no final de fevereiro, inauguramos um novo posto em Araguapaz. Essa expansão acompanha o crescimento da região, que é uma importante fronteira agrícola. Há cerca de dez anos, a região tinha aproximadamente 130 mil hectares de soja; hoje, são 550 mil hectares. Os produtores também cultivam entre 20 e 30 mil hectares de milho verão e silagem para nutrição bovina, além de 50 mil hectares de milho safrinha. A cana-de-açúcar também tem forte presença, com cerca de 160 mil hectares e usinas de referência na região. 

Ainda há grande potencial de expansão, principalmente em áreas atualmente destinadas à pastagem. Diante desse cenário, entendemos que é fundamental ampliar os pontos de recebimento. O novo posto representa um grande investimento e confirma o compromisso coletivo com a estruturação da logística reversa. 

2- De que maneira a ARAGO dialoga com os produtores rurais e porque esse relacionamento é importante para a logística reversa das embalagens vazias? 

O relacionamento com o produtor é essencial para o bom funcionamento do Sistema Campo Limpo. Mantemos presença constante em dias de campo e eventos técnicos ao lado dos distribuidores, levando informação institucional e reforçando a importância da destinação correta. 

Outro ponto fundamental são os recebimentos itinerantes. Nossa região tem grandes distâncias e algumas unidades atendem em um raio de até 200 quilômetros, isso impacta especialmente o pequeno produtor. Por isso, realizamos oito recebimentos itinerantes por ano, em parceria com prefeituras e outros apoiadores locais. Trabalhamos com um calendário fixo, o que permite organização prévia dos produtores e maior eficiência na operação. 

Também investimos em comunicação digital, com site estruturado, redes sociais ativas e canais de atendimento via WhatsApp. Essa combinação entre presença em campo e ferramentas tecnológicas fortalece a interação com a comunidade rural e contribui para ampliar a adesão às boas práticas. 

3- Fale  sobre as ações e o trabalho conjunto com o Sistema Campo Limpo em Goiás e o impacto positivo para a região. 

Mantemos projetos de conscientização ambiental em escolas, principalmente em Goianésia, onde está localizada nossa sede. O Dia Nacional do Campo Limpo é uma parceria consolidada desde o início da nossa atuação, com ações anuais de mobilização e educação. 

Mesmo com os avanços, ainda encontramos produtores que não realizam a destinação correta, muitas vezes por falta de informação ou pela distância até os pontos de entrega. Diante disso, desenvolvemos uma iniciativa voltada à capacitação dos engenheiros agrônomos das revendas, que são cerca de 150 a 160 profissionais atuando na região.  

Criamos um concurso que incentiva a formação desses profissionais sobre todos os detalhes do Sistema Campo Limpo, com premiação e reconhecimento. Acreditamos que o agrônomo, que está próximo ao produtor no dia a dia, é peça-chave para ampliar a conscientização e fortalecer a logística reversa na prática. Esse projeto está em desenvolvimento e temos grandes expectativas. 

Central de Goianésia em atividade. 

4- O Sistema Campo Limpo divulgou recentemente o marco das 900 mil toneladas de embalagens vazias que foram destinadas de forma ambientalmente correta. Qual a avaliação da ARAGO sobre esse marco histórico para a sustentabilidade do agro? 

É um marco ímpar. Quando comparamos com indicadores de reciclagem em áreas urbanas, percebemos o quanto o Sistema Campo Limpo é estruturado, eficiente e bem-sucedido. 

Em muitos momentos, o agro é criticado por falta de informação. Mas, quando apresentamos dados concretos e mostramos a história construída ao longo dos anos, fica evidente a força do Sistema. Trata-se de um trabalho feito a muitas em um processo contínuo de sinergia e evolução. Esse resultado confirma a maturidade e o compromisso do setor com a sustentabilidade. 

5- O que representa para vocês a assinatura do Sistema Campo Limpo: “Por um destino melhor”? 

É uma assinatura que faz sentido na prática. Representa a economia circular acontecendo de forma concreta no dia a dia do campo. Vivemos uma tendência global de responsabilidade ambiental, e tudo o que realizamos dentro do Sistema Campo Limpo contribui para a preservação do planeta e para o uso consciente dos insumos. “Por um destino melhor” traduz exatamente essa realidade e esse compromisso coletivo. 

6 – Espaço aberto para considerações finais 

Nossa palavra é gratidão. Sempre tivemos um relacionamento sólido com o Sistema Campo Limpo, em uma parceria de mão dupla. Levamos sugestões, recebemos direcionamentos e construímos soluções juntos. 

Essa integração fortalece o trabalho com os produtores rurais, amplia nossas ações nas escolas e sustenta uma atuação construída ao longo de muitos anos. Seguimos abertos a novas parcerias locais e a iniciativas que gerem impacto positivo para a região e para o agro brasileiro. 

Nova unidade de Araguapaz-GO, inaugurada em Fevereiro 

Evento Dia Nacional do Campo Limpo. 

Novo posto de recebimento é inaugurado em Acaraú (CE) 

Solenidade de inauguração ocorreu no último dia 12 de fevereiro; local receberá embalagens vazias de defensivos agrícolas e amplia presença no estado 

posto de recebimento é inaugurado em Acaraú (CE)

O Sistema Campo Limpo segue ampliando sua presença no território brasileiro e fortalecendo a logística reversa das embalagens vazias de defensivos agrícolas. No dia 12 de fevereiro, foi inaugurado o novo Posto de Acaraú (CE), resultado da parceria entre a Associação do Comércio Agropecuário do Ceará (ACACE), o Sistema Campo Limpo e o Perímetro Irrigado Baixo Acaraú. Localizado no Lote Perímetro Irrigado Baixo Acaraú, S/N, NH2 – Setor 2 – Canal CST – Zona Rural, o novo posto representa mais um avanço para a destinação ambientalmente adequada no estado do Ceará, fortalecendo a produção responsável e o cuidado com o meio ambiente. 

O evento de inauguração reuniu diferentes entidades:  Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará (ADAGRI),  Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima (SEMA/CE), Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (FAEC), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Prefeituras Municipais de Acaraú, Marco e Cruz, além de produtores rurais, representantes da cadeia agrícola e parceiros locais.  

Segundo Luiz de Melo, presidente da ACACE, com a nova unidade, os agricultores passam a contar com uma estrutura mais próxima e acessível, o que contribui para a adesão às boas práticas previstas no modelo de logística reversa do Sistema Campo Limpo. “A vinda de mais estrutura vai deixar com que todos os produtores rurais cumpram a obrigação legal da devolução, além da importância de estar perto de suas lavouras fazendo com que eles se sintam mais acomodados em deixar suas embalagens vazias de defensivos agrícolas nos dias e horários que lhes forem mais convenientes. Esse posto receberá as embalagens de várias cidades circunvizinhas do Triângulo do Marco. Apoiará toda região.” 

De acordo com Ana Telma Maia Soares, coordenadora regional institucional do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias de Defensivos Agrícolas (inpEV), a expansão da rede de unidades de recebimento é essencial para garantir capilaridade no Brasil. “A eficiência operacional e segurança ambiental, são pilares que fazem do Sistema Campo Limpo uma referência nacional e internacional em sustentabilidade no agronegócio. Trata-se de um compromisso coletivo dos elos da cadeia agrícola, formado por agricultores, canais de distribuição, indústria e poder público, com a logística reversa e com o cuidado junto ao meio ambiente”.  

Vozes do Sistema 

Marco de 900 mil toneladas destaca eficiência regulatória e maturidade da logística reversa no agro 

Especialista analisa o significado do marco de 900 mil toneladas de embalagens vazias destinadas corretamente e destaca os avanços do modelo brasileiro de logística reversa no agro. 

Professor Flavio de Miranda Ribeiro, especialista em Economia Circular, Logística Reversa e Regulação Ambiental

Em entrevista exclusiva ao Portal do Sistema Campo Limpo, o professor Flavio de Miranda Ribeiro, especialista em Economia Circular, Logística Reversa e Regulação Ambiental, afirma que o marco de 900 mil toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas destinadas corretamente vai além de um número expressivo. Para ele, o resultado evidencia ganhos concretos para a saúde do campo, a preservação ambiental e a efetividade de um modelo de política ambiental que funciona na prática e é referência mundial.  

“Antes mesmo de falar em economia circular, é preciso reconhecer que são 900 mil toneladas de embalagens que deixaram de ser descartadas incorretamente no meio ambiente. Se não fosse o Sistema Campo Limpo esse volume gigantesco estaria causando impactos ambientais significativos”, afirma. 

Segundo o professor, a atuação do Sistema é essencial para assegurar a destinação correta das embalagens após o uso no campo. E, a partir do momento em que esses materiais retornam ao Sistema, entra em cena um segundo ganho relevante: a recuperação de materiais, especialmente por meio da reciclagem. 

“Estamos falando de uma grande massa de plásticos que ganha uma nova vida. Isso significa, ao mesmo tempo, preservar o meio ambiente e reduzir o consumo de matéria-prima virgem, especialmente o petróleo”, destaca. 

Referência internacional construída com governança e educação ambiental 

O reconhecimento do Sistema Campo Limpo como referência internacional em logística reversa também passa, na avaliação de Flavio Ribeiro, por decisões estruturais acertadas desde a sua origem. Um dos principais diferenciais é a existência de uma entidade gestora única, sem fins lucrativos, administrada pela própria indústria. 

“A entidade gestora existe para representar os interesses de quem detém as obrigações legais. Ela não deve gerar lucro, mas garantir que os recursos investidos sejam integralmente direcionados para a operação, com eficiência e resultado”, explica. 

Além da governança, o professor ressalta o papel contínuo da educação ambiental e da comunicação junto aos agricultores. “O investimento constante em conscientização é fundamental para que o agricultor entenda a importância de participar do sistema e de fazer a destinação correta. Esse engajamento é um dos pilares do sucesso do Sistema Campo Limpo”, avalia. 

Responsabilidade compartilhada como base do sucesso 

Do ponto de vista regulatório, o especialista destaca a responsabilidade compartilhada, prevista em lei, como um dos grandes avanços da legislação ambiental brasileira e um elemento central para o desempenho do Sistema. 

“Para que um elo cumpra sua responsabilidade, o anterior precisa fazer a sua parte. Não adianta a indústria estruturar a logística reversa se o agricultor não devolve as embalagens. O Sistema Campo Limpo conseguiu transformar esse conceito legal em uma conexão real entre os elos da cadeia”, afirma. 

Para ele, a clareza na definição das responsabilidades legais garante segurança jurídica, viabiliza investimentos e permite que o Sistema funcione de forma eficiente e sustentável ao longo do tempo. “É um Sistema que tem custo. Se não estiver claro quem faz o quê, fica impossível dividir essa conta”, completa. 

Alto índice de reciclagem começa no campo 

Outro ponto destacado por Flavio Ribeiro é que o alto índice de reciclagem das embalagens está diretamente ligado a um alto índice de devolução. “Hoje, é raríssimo que uma embalagem de defensivo permaneça no campo, e isso é resultado direto de educação ambiental, comunicação contínua e também de instrumentos regulatórios, como o controle por nota fiscal e o receituário agronômico”, explica. 

Ele também chama atenção para a importância da tríplice lavagem, procedimento normatizado no Brasil. “Ela é fundamental para viabilizar a reciclagem. Sem esse processo, muitas embalagens sequer poderiam ser recebidas por recicladores”, afirma, destacando ainda os avanços feitos pela indústria no desenvolvimento de embalagens cada vez mais recicláveis. 

Desafios para o futuro 

Ao olhar para o futuro, Flavio Ribeiro destaca três pontos centrais para a continuidade do sucesso do Sistema Campo Limpo. O primeiro é a manutenção da eficiência e da qualidade do modelo, preservando características que são fundamentais para a logística reversa de embalagens de defensivos agrícolas. 

Outro desafio está relacionado à necessidade de garantir isonomia no cumprimento da legislação, especialmente em um cenário de crescimento de produtos importados e do mercado irregular. Para o especialista, assegurar que todos os agentes envolvidos assumam suas responsabilidades é essencial para a sustentabilidade do sistema. 

Segundo ele, fortalecer esse debate contribui para manter o Brasil alinhado às boas práticas internacionais e preparado para atender a exigências ambientais cada vez mais presentes no comércio global. 

Você conhece os 4 elos que garantem o destino correto das embalagens no agro?

Quando cada um faz a sua parte, a sustentabilidade ocorre de verdade.

O Sistema Campo Limpo existe desde 2002 e nasceu da união entre empresas e profissionais do agronegócio, órgãos públicos e o governo federal. O objetivo era claro: enfrentar o desafio ambiental do descarte inadequado de embalagens de defensivos agrícolas, que por muitos anos foram reutilizadas, queimadas ou enterradas de forma insegura, impactando negativamente o meio ambiente.

Com a legislação brasileira, ficou definido que todos os elos envolvidos no uso do defensivo agrícola são responsáveis por garantir um destino ambientalmente correto para o produto e suas embalagens. Foi assim que se consolidou o modelo de responsabilidade compartilhada, base do Sistema Campo Limpo até hoje.

Mas como isso funciona, na prática? A resposta está na atuação coordenada de quatro elos, cada um com funções bem definidas e todos igualmente importantes. Vamos a eles:

Agricultores: o ponto de partida

Elos Agricultores

Tudo começa no campo. Os agricultores são responsáveis por dar o primeiro passo para que as embalagens sigam o caminho correto.

Entre suas atribuições estão:

  • lavar, inutilizar e armazenar as embalagens vazias, conforme as orientações técnicas;
  • devolver o material no local indicado na nota fiscal;
  • guardar o comprovante de devolução por, no mínimo, um ano.

Essas ações garantem segurança, organização e cuidado com o meio ambiente desde o início do processo.

Canais de distribuição e cooperativas: orientação que vira ação

Elos Canal de Distribuição

Revendas, cooperativas e outros canais de distribuição exercem um papel essencial no Sistema Campo Limpo. São eles que ajudam a transformar informação em prática no dia a dia do campo.

Suas responsabilidades incluem:

  • indicar na nota fiscal o local correto para a devolução das embalagens vazias;
  • receber e armazenar adequadamente o material devolvido;
  • emitir o comprovante de devolução ao agricultor.

Esse elo funciona como uma ponte entre o campo e o restante do Sistema, garantindo organização, rastreabilidade e fluidez ao processo.

Indústria fabricante (representada pelo inpEV): compromisso com o ciclo completo

Elos Indústria

A indústria fabricante, representada pelo inpEV, assume a responsabilidade de dar continuidade ao caminho das embalagens dentro do sistema.

Entre suas atribuições estão:

  • garantir a destinação ambientalmente correta, por meio da reciclagem ou da incineração;
  • promover ações de educação ambiental e conscientização aos produtores rurais e envolvidos no agronegócio sobre a importância de ações sustentáveis e o cumprimento dos procedimentos indicados.

Esse compromisso fecha o ciclo com segurança, eficiência e responsabilidade ambiental.

Poder público: fiscalização e apoio

Elos Poder Público

O poder público completa essa engrenagem, atuando para garantir que o Sistema funcione de forma correta e transparente.

Cabe a esse elo:

  • fiscalizar o cumprimento das atribuições legais de cada agente;
  • conceder licenciamento às unidades de recebimento;
  • apoiar ações de educação e conscientização junto aos produtores.

Essa atuação reforça a credibilidade e a solidez do Sistema Campo Limpo.

Quatro elos, uma responsabilidade compartilhada

O sucesso do Sistema Campo Limpo ao longo de mais de duas décadas mostra que quando cada elo cumpre seu papel, os resultados aparecem.

Agricultores, canais de distribuição, indústria e poder público atuam de forma integrada para transformar compromisso em ação concreta. Além disso, para provar que sustentabilidade no agro é um trabalho coletivo com o engajamento de todos. Para que, com cooperação e responsabilidade, todos possam atuar juntos por um destino melhor.

10 motivos que explicam por que o Sistema Campo Limpo acaba de bater um marco histórico no agro brasileiro

Por trás de 900 mil toneladas estão mais de 20 anos de cooperação, milhões de pessoas envolvidas e um compromisso coletivo por um destino melhor.

900 mil toneladas.

Pode até parecer “só um número”, mas ele carrega mais de 20 anos de trabalho coletivo, milhões de pessoas envolvidas e um impacto ambiental que coloca o Brasil como maior referência global em logística reversa agrícola.

Quer entender por que esse marco é tão importante? A gente te conta em 10 pontos

1- 900 mil toneladas: um número que muda a história da sustentabilidade no agro

Desde 2002, o Sistema Campo Limpo já garantiu a destinação ambientalmente correta de mais de 900 mil toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas.

É um resultado construído ao longo do tempo, com escala nacional, e que consolida o Brasil como referência mundial em logística reversa. Trata-se de um desafio ambiental resolvido e que gera, além da sustentabilidade e preservação do meio ambiente, empregos e educação ambiental.

900 mil toneladas

2 – 2025 entrou para o topo do ranking

Só em 2025, foram 75.996 toneladas destinadas corretamente:  o maior volume anual da história do Sistema Campo Limpo.

O crescimento de cerca de 11% em relação a 2024 mostra que o modelo segue forte, consistente e em evolução. Fruto do engajamento e do investimento consrtante em melhorias.

3- Esse resultado tem nome e sobrenome: responsabilidade compartilhada

Nada disso acontece sozinho.

O Sistema Campo Limpo funciona porque todos os elos da cadeia assumem sua parte: agricultores, canais de distribuição, indústria e poder público.

A obrigação legal e o senso de pertencimento promovem a colaboração na prática, com resultado mensurável, que permite o agronegócio brasileiro mostrar ao mundo um modelo eficiente e de impacto real.

4 – O agricultor é peça fundamental desse marco

Tudo começa no campo.

A preparação correta das embalagens após o uso, incluindo a tríplice lavagem, é fundamental para garantir segurança, viabilizar a reciclagem e manter o Sistema funcionando de forma eficiente. O agricultor é a ponta final do Sistema e possui participação importante para que o ciclo se feche.

agricultores - 900 mil toneladas

5 – 100% das embalagens vazias seguem o caminho certo

Hoje, todas as embalagens vazias destinadas pelo Sistema Campo Limpo recebem destinação ambientalmente correta.

E mais:

  • 92% são recicladas
  • o restante segue para rotas ambientalmente seguras, como coprocessamento e incineração

Nada fica sem controle.

6 – Economia circular que sai do discurso e vira realidade

As embalagens recicladas retornam à cadeia produtiva: ou como novas embalagens ou como um dos 38 artefatos homologados, que podem ser até postes de sinalização para o trânsito ou tubos para esgoto. É o ciclo se fechando com segurança, rastreabilidade e impacto ambiental e social positivo.

7 – Um sistema que funciona do Oiapoque ao Chuí

O Brasil é continental e o Sistema Campo Limpo foi desenhado para isso.
Hoje, ele conta com:

  • 411 unidades de recebimento
  • mais de 256 associações de revendas e cooperativas
  • ações de Recebimentos Itinerantes, que ampliam o acesso em regiões mais remotas

Resultado: mais de 2 milhões de propriedades rurais impactadas.

8 – Sustentabilidade que acompanha onde o agro acontece

O volume de embalagens vazias destinadas corretamente cresce junto com a produção agrícola nacional.

Onde o agro é forte, a adesão às boas práticas ambientais também é mostrando que produtividade e sustentabilidade caminham juntas no campo brasileiro.

9 – Quer visualizar melhor esse número gigante?

As 900 mil toneladas equivalem, aproximadamente, ao peso de 2 milhões de bois de 450 kg.
Agora dá para sentir o tamanho real desse marco, né?

10 – Um resultado que aponta para o futuro

O marco de 900 mil toneladas de embalagens vazias destinadas corretamente mostra que é possível promover a sustentabilidade de forma prática, eficiente e em escala nacional.

O Sistema Campo Limpo possui um compromisso coletivo por um destino melhor para o meio ambiente e para as próximas gerações.

Coopercitrus e Sistema Campo Limpo: compromisso conjunto com a destinação correta e o futuro do agro

Coopercitrus

Com quase cinco décadas de atuação no agronegócio brasileiro, a Coopercitrus construiu uma trajetória marcada pelo cooperativismo, pela proximidade com os produtores rurais e pelo compromisso com o desenvolvimento sustentável. Presente em quatro estados e com mais de 42 mil cooperados, a cooperativa atua de forma integrada em diferentes frentes, que contempla a produção até a comercialização, sempre com foco em governança, inovação e respeito ao meio ambiente.

Integrante do Sistema Campo Limpo, a Coopercitrus tem papel estratégico no fortalecimento da logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas, contribuindo ativamente para a destinação ambientalmente adequada desses materiais. Confira abaixo a entrevista exclusiva com Fernando Degobbi, CEO da Coopercitrus, que comenta a importância da responsabilidade compartilhada entre os elos da cadeia agrícola e como educação e boas práticas no campo são fundamentais para impulsionar um agro cada vez mais sustentável, alinhado ao propósito de buscar por um destino melhor.

 Fernando Degobbi, CEO da Coopercitrus
Fernando Degobbi, CEO da Coopercitrus
  1. A Coopercitrus tem uma grande história no agronegócio brasileiro. Como é o trabalho e os principais objetivos da cooperativa atualmente?

A Coopercitrus vai completar 50 anos em 2026 e possui uma história muito importante. Nasceu em Bebedouro e hoje temos uma atuação que ultrapassa o estado de São Paulo. Também estamos presentes em Minas Gerais, Goiás e, há dois anos, em Mato Grosso, com uma unidade em Primavera do Leste.

Somos a maior cooperativa do Brasil em número de cooperados: 42 mil. Trabalhamos com todas as culturas, de forma bastante diversificada, com uma característica importante: mais de 80% da nossa base é formada por produtores de baixa e média escala.

Temos seis unidades de fábricas de rações, silos para grãos, armazéns de café, com expectativa de movimentar 1 milhão de sacas, adquiridas dos cooperados e comercializadas no mercado, além de unidades de revenda de máquinas. Vendemos mais de 1.200 tratores no último ano, implementos agrícolas, defensivos agrícolas, sementes e atuamos fortemente na área de tecnologia agrícola, agricultura de precisão e drones.

Contamos ainda com a nossa fundação, que é o braço ESG, com ações ambientais, recuperação de nascentes de água, aplicativos, além do braço educacional, com parceria com a FATEC e ETEC, e de outros projetos, oferecendo curso superior tecnólogo e curso técnico agrícola. A cooperativa tem um papel social muito importante nas regiões onde atua e temos números que comprovam isso por meio de relatórios e indicadores: onde o cooperativismo é mais forte, os índices de desenvolvimento humano também são mais elevados nos municípios.

O principal objetivo é dar todo o suporte que o produtor precisa, sempre trazendo o contexto ESG para dentro da propriedade, com foco em sustentabilidade, redução de impactos ambientais e boa governança.

  • Como se dá a participação da Coopercitrus no Sistema Campo Limpo e por que essa parceria é estratégica para fortalecer a logística reversa no campo?

Recebemos mais embalagens do que vendemos, atuando como um verdadeiro hub de logística reversa. Fazemos investimentos constantes para receber todo o mercado em que atuamos.

Temos centrais de embalagens e postos de recebimento em várias cidades. Em 2024, firmamos um comodato com o inpEV, entendendo que se tratava de uma proposta bastante interessante para ajudar na gestão. Credenciamos várias unidades e passamos a atuar de forma conjunta, inclusive com outras empresas parceiras, como a Apamig.

Monitoramos todo o processo de licenciamento ambiental e seguimos esse trabalho de perto, em conjunto com o Instituto. Houve muito investimento no passado e esse foi um passo importante, pois entendemos a relevância de fortalecer as ações do Sistema Campo Limpo.

  • A proximidade com os agricultores é uma característica das cooperativas. Como funciona essa relação?

No modelo cooperativista, o dono é o cooperado e este entende que a Coopercitrus é a casa dele e espera sempre o melhor, e esse é exatamente o nosso objetivo: colocar o produtor e o agricultor no centro de todas as estratégias.

Essa proximidade acontece de forma natural, porque, a partir do momento em que ele se torna cooperado, existem algumas obrigações, atendimentos a especificações e cadastro, o que já cria uma relação próxima desde o início, inclusive para ajudá-lo nas melhores decisões.

Temos uma fintech que atua como um braço de apoio aos produtores, auxiliando na análise de alternativas financeiras, sucessão e estruturação jurídica, além de orientar sobre o relacionamento com empresas, oferecendo chancela de uma empresa especializada. Isso ajuda o produtor a demonstrar melhor seus resultados, entender sua operação, trabalhar de forma mais eficiente e apresentar números de maneira correta e transparente, garantindo acesso ao crédito e evitando inadimplência.

Além dos cursos já citados, que são noturnos e permitem que produtores e filhos de produtores participem, oferecemos cursos superiores e técnicos. Também temos cursos operacionais: mais de 1.000 operadores de drones certificados, instrutores credenciados e cinco professores aptos a ministrar essas capacitações. Observamos uma grande demanda, especialmente de mulheres, já que o uso de drones na agricultura cresce rapidamente.

Oferecemos ainda cursos para mecânicos, operação de máquinas, capacitação e manutenção nas próprias propriedades. Ao todo, são mais de 32 cursos de curta duração oferecidos por meio da nossa fundação.

  • Quais ações conjuntas com o Sistema Campo Limpo a Coopercitrus destaca como fundamentais para engajar os produtores e ampliar os impactos positivos para o meio ambiente?

Há um grande histórico de ações nas escolas, grandes eventos, como o Dia Nacional do Campo Limpo, além do engajamento dos produtores e das comunidades para reforçar a importância de manter o campo sem resíduos e sem embalagens, cuidando dos rios e do meio ambiente.

Essas iniciativas começam nas escolas primárias, com crianças, passam pelas unidades filiadas e chegam até grandes eventos, nos quais já lideramos diversas ações para destacar essa importância. São algumas ações conjuntas que realizamos.

  • O Sistema Campo Limpo celebra o marco das 900 mil toneladas de embalagens vazias destinadas corretamente desde 2002. O que esse número significa para a Coopercitrus?

Significa uma atuação conjunta que mostra resultados e nós estamos juntos desde o início. A Coopercitrus é uma das maiores comercializadoras de insumos e somos referência nesse processo. Ter essa parceria e participar dessa iniciativa é muito importante e gratificante para nós.

Fazemos parte dessa história e ficamos muito contentes e orgulhosos em prestar esse serviço para a comunidade e para os produtores. Trata-se de uma visão de responsabilidade e futuro que existiu há mais de 20 anos, com a criação do Sistema Campo Limpo, e colhemos hoje esses frutos.

  • O Sistema Campo Limpo adota a assinatura “Por um destino melhor”. Como a Coopercitrus enxerga o futuro dessa participação e quais avanços podem ser esperados em sustentabilidade e boas práticas agrícolas?

Essa assinatura é muito pertinente e feliz, porque, quando pensamos na cadeia de produção agrícola, ela é extremamente complexa. Existem muitas etapas até o produto chegar ao consumidor final.

Os consumidores querem saber cada vez mais de onde vem o alimento, como foi produzido, qual foi o manejo adotado, quais práticas estiveram envolvidas, além de demonstrarem preocupação com governança e sustentabilidade. O produtor, o comprador e o cliente valorizam cada vez mais uma cadeia que monitora esses processos, entrega rastreabilidade e oferece um produto sustentável na ponta.

Entendo que a assinatura “Por um destino melhor” vai além da embalagem: ela fala do destino da produção, do produtor e do próprio agronegócio. É uma mensagem muito interessante, porque o agronegócio brasileiro caminha justamente para esse destino melhor e mais sustentável.

  • Espaço aberto para considerações finais

Vemos muitos avanços na agricultura e como em tudo no mundo, existem ciclos, alguns de alta e outros de baixa, mas nunca podemos perder de vista o que aprendemos e as práticas que sabemos que são boas para os negócios e para os resultados.

O agricultor, mais do que ninguém, sabe da importância de adotar ações sustentáveis. É um negócio que passa de geração para geração, e vemos novas gerações cada vez mais interessadas no agro e mais engajadas com a sustentabilidade.

O que é um desafio para outros países, o Brasil já vivência de forma positiva: muitos jovens interessados nessa área. Isso fará com que o ciclo continue virtuoso no agronegócio. Para isso, dois pontos são fundamentais: tecnologia e sustentabilidade.

Educação ambiental transforma realidades e forma crianças protagonistas nas comunidades 

Programa de Educação Ambiental (PEA) Campo Limpo leva o tema “Cuidar é circular” a escolas de todo o Brasil e amplia a consciência ambiental desde a infância

PEA Campo Limpo - Educação Ambiental

Diante dos crescentes desafios socioambientais, a educação ambiental se consolida como um dos principais caminhos para a formação de cidadãos conscientes, críticos e engajados. No Dia Mundial da Educação Ambiental, celebrado em 26 de janeiro, o Programa de Educação Ambiental (PEA) Campo Limpo reafirma seu compromisso com a transformação social ao promover práticas educativas que conectam cuidado, responsabilidade compartilhada e economia circular

Desenvolvido pelo Sistema Campo Limpo, referência brasileira em logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas, o PEA Campo Limpo chega à edição de 2026 com o tema “Cuidar é circular”, estimulando reflexões sobre consumo consciente, destinação adequada de resíduos e o papel de cada indivíduo na construção de um futuro mais sustentável. 

Educação ambiental como base para a transformação social 

A educação ambiental desempenha um papel essencial na sensibilização de crianças e jovens para os desafios ambientais contemporâneos. Ao integrar conteúdos teóricos e atividades práticas, o PEA Campo Limpo contribui para a formação de uma consciência ambiental sólida desde a infância, fortalecendo valores como cuidado, pertencimento e responsabilidade compartilhada. 

Voltado a estudantes do 4º e 5º anos do Ensino Fundamental, o Programa de Educação Ambiental (PEA) Campo Limpo tem como objetivo conscientizar professores e alunos sobre a gestão adequada dos resíduos sólidos, incentivando mudanças de comportamento que ultrapassam os limites da escola e alcançam famílias e comunidades. 

PEA Campo Limpo: educação ambiental desde a infância 

Anualmente, escolas públicas e privadas parceiras do Sistema Campo Limpo recebem kits de educação ambiental desenvolvidos especialmente para apoiar o trabalho pedagógico em sala de aula. Os materiais incluem caderno do professor, pôster temático, jogo colaborativo e outros recursos que facilitam a abordagem dos conteúdos de forma prática, lúdica e interdisciplinar. 

Em 2025, o programa envolveu mais de 285 mil alunos em diferentes regiões do país, ampliando o alcance da educação ambiental nas escolas brasileiras. Desde o início da iniciativa, mais de 3 milhões de crianças já participaram das atividades do PEA Campo Limpo, reforçando o papel da escola como espaço de formação cidadã e ambiental. 

Alinhamento à BNCC, políticas públicas e economia circular 

O PEA Campo Limpo é alinhado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), à Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA) e à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Na edição de 2026, o programa também incorpora os princípios do Plano Nacional de Economia Circular, lançado em maio de 2025, trazendo para o ambiente escolar discussões atuais sobre produção, consumo e destinação de resíduos. 

Essa conexão com políticas públicas fortalece o caráter educativo do programa e contribui para o desenvolvimento de competências previstas no currículo escolar, associadas à sustentabilidade e à cidadania ambiental. 

“Cuidar é circular”: da escola para a comunidade 

Segundo Fernanda Cardozo, coordenadora de Educação do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), o tema “Cuidar é circular” amplia o olhar dos estudantes para além da sala de aula, integrando escola, família e comunidade. 

“O tema propõe uma abordagem que reforça que o cuidado é um valor coletivo e contínuo. Ao trabalhar conceitos como os 6Rs — repensar, recusar, reduzir, reutilizar, reparar e reciclar —, o programa incentiva o consumo consciente e o sentimento de pertencimento dos estudantes aos seus territórios, tornando-os agentes ativos de transformação”, afirma. 

A iniciativa também estimula o protagonismo infantil, incentivando crianças a atuarem como multiplicadoras do conhecimento em seus lares e comunidades, fortalecendo a cidadania ambiental desde cedo. 

“O PEA Campo Limpo conecta conhecimento e prática, mostrando que o cuidado começa nas pequenas atitudes do dia a dia e se amplia para a comunidade e para o planeta. A educação ambiental é fundamental para formar cidadãos preparados para os desafios da transição para uma economia circular e responsável”, completa Fernanda. 

Como as escolas podem participar do PEA Campo Limpo em 2026 

As escolas interessadas em participar do PEA Campo Limpo 2026 devem entrar em contato com o gestor da central de recebimento do Sistema Campo Limpo mais próxima, responsável pela inscrição e pelo acompanhamento local do programa. 

A iniciativa representa uma oportunidade de integrar as competências previstas na BNCC a práticas educativas voltadas à sustentabilidade, à economia circular e à responsabilidade compartilhada. Os municípios e endereços das unidades de recebimento estão disponíveis no site do Sistema Campo Limpo. 

Brasil alcança marco de 900 mil toneladas de embalagens destinadas corretamente 

Resultado recorde reforça a força da responsabilidade compartilhada e consolida o Brasil como referência mundial em logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas. 

O Brasil alcançou um marco histórico na logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas. Em 2025, o país ultrapassou a marca de 900 mil toneladas de embalagens  destinadas corretamente, consolidando o Sistema Campo Limpo como uma das maiores e mais bem-sucedidas iniciativas ambientais do agronegócio mundial. 

O resultado reflete mais de duas décadas de atuação baseada na responsabilidade compartilhada, envolvendo agricultores, canais de distribuição, cooperativas, indústria e poder público. Também reforça o compromisso coletivo por um destino melhor para as embalagens, o meio ambiente e a sociedade. 

Recorde anual mostra evolução consistente do Sistema 

Somente em 2025, 75.996 toneladas de embalagens vazias receberam destinação ambientalmente adequada. Esse é o maior volume anual já registrado na história do Sistema Campo Limpo, que iniciou sua operação no ano de 2002.O número representa um crescimento aproximado de 11% em relação a 2024, evidenciando a evolução contínua do modelo e o fortalecimento das boas práticas no campo. 

Esse avanço está diretamente ligado ao engajamento dos agricultores, que realizam a devolução correta das embalagens após o uso responsável, e ao trabalho conjunto de toda a cadeia agrícola em um processo contínuo de conscientização. 

Segundo Luis Carlos Ribeiro, diretor executivo da Associação Nacional das Empresas de Produtos Fitossanitários (AENDA), o resultado merece os parabéns por todo trabalho desenvolvido. “Ser referência internacional quando falamos de gestão de embalagens de defensivos agrícolas, mostra que com gestão competente é possível entregar resultados cada vez mais promissores a cada ano. O meio ambiente com certeza fica muito agradecido por ter um Sistema como este trabalhando e avançando cada vez mais na sustentabilidade do agro nacional”.  

Destinação correta fortalece a economia circular e a segurança ambiental 

Atualmente, 100% das embalagens destinadas pelo Sistema Campo Limpo recebem destinação correta. Desse total, 92% são recicladas e retornam à cadeia produtiva, seja na forma de novas embalagens, seja como um dos 38 artefatos homologados, fortalecendo a economia circular no setor. 

O volume restante segue para processos como coprocessamento e incineração, sempre com segurança ambiental. Esse modelo evita impactos ao meio ambiente e posiciona o Brasil como referência internacional em logística reversa de embalagens agrícolas. 

“Os números mostram que a sustentabilidade no Brasil pode ser construída de forma prática e eficiente. O Sistema Campo Limpo prova que, quando todos assumem sua parte, é possível gerar resultados concretos para o meio ambiente e para a sociedade”, afirma Marcelo Okamura, diretor-presidente do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV)

A força da responsabilidade compartilhada 

O marco de 900 mil toneladas é resultado da atuação integrada entre agricultores, canais de distribuição, e indústria, com o suporte e a fiscalização do poder público. 

Cada elo exerce um papel fundamental para o bom funcionamento do Sistema Campo Limpo e para a consolidação de resultados ambientais consistentes ao longo do tempo. 

Para Eliane Kay, diretora-executiva do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), o marco de 900 mil toneladas de embalagens vazias com destinação ambientalmente correta evidencia a solidez e a efetividade do Sistema Campo Limpo. ‘Resultado de uma construção coletiva ao longo de mais de duas décadas.  O uso correto e seguro de defensivos é uma agenda constante do setor, sustentada pelos diversos elos da cadeia que, quando integrados à destinação adequada das embalagens, evidenciam uma produção de alimentos, fibras e energia eficiente, segura e sustentável. Essa atuação conjunta é determinante para garantir produtividade no campo, proteção ambiental e segurança alimentar para a sociedade”.  

Estados que lideram a destinação correta de embalagens 

A destinação correta das embalagens vazias acompanha a dinâmica da produção agrícola nacional. Estados com forte atividade no campo concentram os maiores volumes destinados corretamente. 

Entre os destaques estão Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Goiás, Bahia, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Juntos, esses estados refletem a relação direta entre produtividade agrícola, conscientização e adoção de boas práticas ambientais. 

Capilaridade garante acesso em todo o país 

Para garantir presença em todas as regiões do Brasil, o Sistema Campo Limpo opera uma rede ampla e capilarizada, formada por unidades de recebimento e ações de recebimentos itinerantes. 

Essas iniciativas levam orientação, estrutura e acesso aos agricultores, inclusive em regiões mais remotas, fortalecendo a adesão ao Sistema e ampliando seu impacto social e ambiental. 

Um marco que reafirma o compromisso por um destino melhor 

Ao longo de mais de 20 anos, o Sistema Campo Limpo se consolidou como um exemplo de política ambiental que funciona. O marco de 900 mil toneladas de embalagens destinadas corretamente reforça o protagonismo do Brasil na sustentabilidade do agronegócio. 

O resultado representa um compromisso coletivo por um destino melhor para as embalagens vazias, para o meio ambiente e para as próximas gerações.