Diretor da COAMO compartilha como a proximidade com o produtor é essencial para o funcionamento da logística reversa das embalagens vazias de defensivos agrícolas.

O Sistema Campo Limpo é referência mundial em logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas há mais de vinte anos. Com responsabilidade compartilhada, um dos elos envolvidos são as cooperativas, que atuam diretamente com os agricultores e realizam um trabalho de extrema relevância. Confira a seguir a entrevista exclusiva com Edenilson Carlos de Oliveira, diretor de Logística e Operações da COAMO.
O executivo compartilha a visão da cooperativa sobre crescimento, sustentabilidade e o papel estratégico das cooperativas dentro do Sistema Campo Limpo. Com mais de cinco décadas de história, a COAMO se consolidou como uma das maiores cooperativas do Brasil e com forte presença no agronegócio brasileiro. Confira o papo que aborda a evolução daCOAMO, suas práticas ambientais e a importância da logística reversa das embalagens vazias como parte de uma cadeia produtiva cada vez mais responsável e integrada.
1. A COAMO é uma das gigantes cooperativas agrícolas da América Latina. Conte um pouco sobre a história e o crescimento da cooperativa.
A COAMO foi fundada em 28 de novembro de 1970, no município de Campo Mourão (PR), mais precisamente em um distrito da região, por 79 agricultores. Na época, a atividade predominante era a extração madeireira, e, com o avanço dessa exploração, surgiu a necessidade de dar melhor aproveitamento às terras. Foi nesse contexto que os produtores se organizaram e criaram a cooperativa, com o objetivo de estruturar e fortalecer a produção agrícola local.
Hoje, a COAMO está presente nos estados do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, atuando em 81 municípios e reunindo cerca de 32 mil cooperados. A soja é o principal produto, mas também trabalhamos com milho, trigo e café, além de uma forte verticalização industrial. Processamos cerca de 9 mil toneladas de soja por dia e temos moinho de trigo com capacidade para 800 toneladas diárias. Estamos investindo também na produção de etanol, com previsão de início de operação em 2027. Contamos ainda com estrutura portuária própria, que complementa a cadeia do cooperado, além de uma equipe com mais de 300 técnicos, entre agrônomos e veterinários, oferecendo assistência completa e garantindo rastreabilidade em toda a produção.
2. Como a logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas se integra à operação da cooperativa e à rotina dos cooperados?
Temos diferentes exemplos de logística reversa dentro da cooperativa, como no caso de baterias, óleo e embalagens PET, mas posso afirmar que o Programa de logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas é o mais estruturado e eficiente. É um Sistema que funciona muito bem, com organização e clareza em todas as etapas.
É um trabalho exemplar, sem precedente em muitos países. No Brasil, o produtor rural tem acesso facilitado aos pontos de devolução, e todos os elos estão comprometidos em fazer o Sistema funcionar. Trata-se de um serviço extremamente bem prestado ao agricultor e ao meio ambiente, que demonstra como a integração entre os elos da cadeia pode gerar resultados consistentes e sustentáveis.
3. Com mais de 55 anos de história da COAMO, quais as principais iniciativas da cooperativa você destacaria como exemplos de boas práticas agrícolas e responsabilidade ambiental?
Um dos principais pontos é a recomendação técnica bem feita. Quando o produtor aplica apenas o que é necessário, evita desperdícios e reduz impactos, como emissões desnecessárias. Esse cuidado traz ganhos tanto ambientais quanto econômicos.
Além disso, temos diversos exemplos de boas práticas dentro da COAMO. Nossa frota de caminhões apresenta consumo abaixo da média e contamos com certificações relacionadas às emissões de carbono. Também realizamos o balanço de CO₂ da cooperativa, inclusive para atender exigências de mercados como o europeu. Toda a nossa energia elétrica é proveniente de fontes renováveis e nossas caldeiras utilizam biomassa, sem uso de carvão. Estamos avançando também na produção de etanol a partir de biomassa, reforçando nosso compromisso com a redução de emissões e a sustentabilidade.
4. O Sistema Campo Limpo é reconhecido mundialmente como referência mundial em logística reversa. Na sua visão, qual é o papel das cooperativas para que esse modelo funcione de forma tão eficiente no Brasil?
É importante destacar que esse resultado é fruto de uma evolução ao longo do tempo, especialmente na conscientização dos produtores rurais. Houve um trabalho muito forte de educação e orientação, desde o início, sobre a importância da tríplice lavagem, da inutilização correta e da devolução ambientalmente adequada das embalagens.
Nesse contexto, as cooperativas têm um papel fundamental, porque estão diretamente no campo, próximas dos produtores. Elas são responsáveis por orientar, disseminar boas práticas e garantir que as informações cheguem de forma clara. Essa proximidade faz com que o Sistema funcione de maneira organizada e eficiente.
5. Pensando no futuro, quais exemplos a COAMO quer deixar quando o assunto é sustentabilidade e cuidado com o meio ambiente dentro do agronegócio?
Nosso vídeo institucional tem uma frase que gosto muito e diz que “depois da gente vem mais gente”, e isso resume bem nossa visão. Tudo o que fazemos hoje, principalmente em relação ao meio ambiente, é pensando nas próximas gerações. Existe uma preocupação real em disseminar essa consciência e fortalecer práticas mais sustentáveis.
Sabemos que ainda há muito a evoluir, especialmente na transição energética. O agronegócio terá um papel importante na ampliação do uso de biocombustíveis e na redução da dependência de fontes fósseis. Esse movimento não acontece da noite para o dia, mas é essencial para o futuro do planeta. As cooperativas e o setor agropecuário têm um papel estratégico nesse processo, tanto na produção quanto na construção de um legado mais sustentável, alinhado às demandas das novas gerações.
6 – Espaço aberto para considerações finais.
Gostaria de destacar o trabalho do inpEV, entidade que representa a indústria no Sistema, porque estamos falando de uma cadeia extremamente complexa, que precisa de coordenação e gestão para funcionar bem. É fundamental ter uma entidade que organize, oriente e garanta que todas as engrenagens estejam alinhadas. Vejo essa atuação como muito profissional, clara e estruturada, sendo um dos pilares de sustentação do Sistema. É um trabalho relevante, que é e precisa ser cada vez mais divulgado, inclusive internacionalmente, como exemplo de sucesso. Fica aqui o reconhecimento pelo excelente trabalho realizado no Sistema Campo Limpo


