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Mês das Mulheres evidencia protagonismo feminino no agronegócio brasileiro

Com presença crescente no campo, na ciência, na gestão e em posições de liderança, elas impulsionam inovação, sustentabilidade e desenvolvimento no setor.

Se antes o setor agropecuário era visto como um ambiente somente masculino, hoje o cenário é mais diverso. Mulheres estão mais presentes no campo, na gestão das propriedades rurais, na pesquisa, na indústria, no poder público e em posições estratégicas dentro de empresas e instituições que impulsionam o setor.

De acordo com o Boletim Mercado de Trabalho do Agronegócio Brasileiro, elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a participação feminina no setor vem crescendo em ritmo mais acelerado que a masculina. Entre o segundo trimestre de 2024 e o mesmo período de 2025, a população ocupada feminina no agro aumentou 1,9%, o equivalente a cerca de 203 mil trabalhadoras. No mesmo intervalo, o crescimento entre os homens foi de 0,2%. Ao todo, elas já representam 38% da população ocupada no agronegócio brasileiro.

A presença feminina traz novas perspectivas para o setor, especialmente quando o assunto é gestão, sustentabilidade e cuidado com o ambiente de trabalho. A engenheira agrônoma e agricultora Andréia Piati Rodrigues, sentiu na pele as barreiras que as mulheres enfrentam para ingressar nesse universo e enxerga a contribuição feminina como um diferencial positivo.

Andréia Piati Rodrigues

“A presença feminina contribui muito porque a mulher tem um olhar diferenciado. Na verdade, nós nos complementamos com os homens. Em coisas às quais talvez o homem não dê tanta atenção, a mulher tem esse olhar mais cuidadoso”, explica. Segundo ela, essa característica aparece também nas práticas adotadas dentro das propriedades.

“O olhar atento da mulher aos detalhes contribui muito para os cuidados ambientais. Na nossa propriedade, por exemplo, eu observo sempre se tudo está sendo feito de forma sustentável, para que possamos manter essa agricultura por muitas gerações”, explica.

No contexto do Sistema Campo Limpo, programa brasileiro de logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas, que é referência mundial, essa participação também tem ganhado espaço em diferentes áreas.

Para Bianca Costa, Coordenadora da Central de Recebimento de embalagens vazias de Araraquara do inpEV, ampliar a presença feminina fortalece a diversidade dentro das equipes e contribui para decisões mais equilibradas. “A diversidade traz novas perspectivas, mais diálogo e decisões mais equilibradas, o que é fundamental quando falamos de sustentabilidade, tanto ambiental quanto social”, afirma.

Bianca Costa

Segundo ela, esse movimento também reforça iniciativas que conectam produtividade e responsabilidade ambiental. “No Sistema Campo Limpo vemos na prática como o trabalho colaborativo entre diferentes profissionais fortalece uma cadeia comprometida com a destinação ambientalmente correta das embalagens de defensivos agrícolas e com um agro cada vez mais consciente.”

Desafios e oportunidades

Apesar dos avanços, ainda existem desafios para ampliar a presença feminina, especialmente em posições de liderança e tomada de decisão. A diretora técnica do Senar/MS, Mariana Urt, observa que o crescimento da participação das mulheres no campo vem acompanhado de novas demandas por capacitação e fortalecimento da gestão das propriedades.

Mariana Urt

“Embora a participação feminina no agronegócio esteja crescendo, ainda existem desafios relacionados ao acesso a oportunidades, capacitação e maior presença das mulheres em espaços de liderança e tomada de decisão. Ao mesmo tempo, há um cenário muito positivo de transformação, com mais produtoras assumindo a gestão das propriedades e buscando qualificação para fortalecer seus negócios. Quando investimos na capacitação e no protagonismo feminino no campo, ampliamos oportunidades.”

Andréia também enxerga os desafios enfrentados pela população feminina. “Muitas vezes, a mulher precisa exercer mais de uma função ao mesmo tempo. Chega um momento em que ela pode se encontrar em uma encruzilhada entre se dedicar à carreira ou estar mais presente na família. Cada uma faz suas escolhas e organiza a vida da forma que considera melhor, mas esse equilíbrio ainda é um desafio.”

Ao mesmo tempo, ela acredita que o potencial feminino no setor é cada vez mais reconhecido. “A mulher é focada, determinada e tem no DNA força e resiliência. Quando entende que tem competência para fazer algo, luta para fazer e fazer bem feito. Isso faz com que ela se destaque naturalmente nos ambientes em que atua.”

Com mais mulheres ocupando espaços no campo, nas empresas, na ciência e na gestão, o agronegócio brasileiro segue se transformando e se tornando cada vez mais preparado para os desafios do futuro.

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