
Às vésperas da 22ª edição do Dia Nacional do Campo Limpo, celebrado em 18 de agosto, o Portal do Sistema Campo Limpo entrevistou, de maneira exclusiva, Daniel Carrara, diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que comentou sobre o papel da educação na consolidação de um dos mais eficientes sistemas de logística reversa do mundo.
Na entrevista, ele detalha como a capacitação promovida pelo Senar se conecta à agenda de responsabilidade compartilhada do Sistema Campo Limpo, comenta a força da cooperação entre os diferentes elos do agronegócio e reflete sobre o significado da assinatura “Por um destino melhor” para o futuro do produtor rural brasileiro. Acompanhe o bate-papo:
- O Dia Nacional do Campo Limpo chega à sua 22ª edição. Na sua visão, por que essa data se consolidou como um dos principais marcos de mobilização do agronegócio brasileiro?
O Dia Nacional do Campo Limpo simboliza aquela que é uma das características marcantes da agropecuária brasileira: a capacidade de transformar responsabilidade em resultados concretos. O Brasil é reconhecido mundialmente pela força da sua produção agropecuária, liderando cadeias estratégicas e contribuindo de forma decisiva para a segurança alimentar global. Esse protagonismo também se estende à agenda da sustentabilidade.
O Sistema Campo Limpo tornou-se referência internacional. Alcançar índices de devolução superiores a 90% demonstra que o país construiu um modelo sólido, baseado em uma legislação moderna, responsabilidade compartilhada e, principalmente, no comprometimento dos produtores rurais.
A data reforça uma mensagem importante para a sociedade: o produtor rural brasileiro produz com responsabilidade. Sustentabilidade não é um conceito distante da realidade do campo, ela faz parte da rotina de quem depende diretamente da conservação dos recursos naturais para garantir produtividade, competitividade e renda.
O Dia Nacional do Campo Limpo também é uma oportunidade para ampliar esse diálogo com a sociedade. Mostrar que o país construiu um dos mais eficientes sistemas de logística reversa do mundo é reconhecer um esforço coletivo que fortalece a imagem do agronegócio brasileiro e evidencia que produção e preservação caminham lado a lado.
- O Senar tem como missão capacitar o produtor rural em todo o país. Como essa atuação de capacitação se conecta com a agenda de logística reversa e responsabilidade compartilhada promovida pelo Sistema Campo Limpo?
Educação é um instrumento que transforma conhecimento em boas práticas. O elevado índice de devolução das embalagens não é fruto apenas da existência de uma legislação ou de uma estrutura de recebimento. Ele é resultado, sobretudo, da conscientização do produtor rural sobre sua responsabilidade e sobre os benefícios ambientais, sociais e econômicos de realizar esse processo corretamente.
No Senar, capacitar vai muito além de transmitir informações técnicas. É um trabalho contínuo para desenvolver competências que ajudem o produtor a tomar decisões cada vez mais seguras, eficientes e sustentáveis em sua atividade. É nesse contexto que a logística reversa se fortalece. Ao orientar sobre o uso correto dos defensivos agrícolas, a tríplice lavagem, o armazenamento temporário e a devolução das embalagens nos prazos estabelecidos, contribuímos para que essas práticas sejam incorporadas à rotina das propriedades rurais.
O Senar investe continuamente em soluções educacionais inovadoras, como conteúdos digitais e experiências imersivas, a exemplo do Tour 360º sobre devolução de embalagens vazias. O Tour 360º foi desenvolvido em parceria com o próprio Sistema Campo Limpo, como um dos produtos do acordo de cooperação técnica formalizado entre as instituições. São ferramentas que ampliam o acesso ao conhecimento e ajudam a consolidar uma cultura de responsabilidade ambiental no campo. Quando o produtor compreende o impacto positivo de suas escolhas, ele passa a atuar como protagonista da sustentabilidade. Essa mudança de comportamento é um dos principais fatores que explicam por que o Brasil se tornou referência mundial nesse tema.
- A assinatura do Sistema Campo Limpo é ‘Por um destino melhor’. Na visão do SENAR, o que esse destino melhor significa para as embalagens de defensivos agrícola e para o futuro do produtor rural brasileiro?
Essa mensagem sintetiza o propósito do Sistema Campo Limpo. Em seu significado mais imediato, “um destino melhor” representa a destinação ambientalmente adequada das embalagens vazias de defensivos agrícolas, garantindo que elas retornem ao ciclo produtivo por meio da reciclagem ou recebam o tratamento correto, sempre com segurança para as pessoas e para o meio ambiente. Mas esse conceito vai muito além das embalagens.
Um destino melhor significa construir um agronegócio cada vez mais preparado para responder aos desafios do futuro. Significa fortalecer uma produção baseada em conhecimento, inovação, responsabilidade ambiental e uso eficiente dos recursos naturais. O produtor rural brasileiro já compreendeu que competitividade e sustentabilidade caminham juntas. Ele já cumpre seu papel na logística reversa e, com isso, também fortalece seu negócio ao ampliar sua credibilidade perante os mercados e contribuir para a imagem positiva do agro brasileiro.
Esse é o destino que buscamos: um campo cada vez mais sustentável, inovador e competitivo, capaz de continuar produzindo alimentos sem abrir mão da responsabilidade ambiental.
- Como o senhor avalia essa união entre diferentes elos do agronegócio, cada um contribuindo com sua expertise, como caminho para o setor atingir grandes resultados e evoluir de forma conjunta?
O Sistema Campo Limpo é um dos exemplos bem-sucedidos de cooperação institucional dentro do agronegócio brasileiro. Seus resultados demonstram que desafios complexos são superados quando diferentes organizações atuam de forma coordenada, compartilhando responsabilidades e objetivos comuns.
Cada elo desempenha um papel essencial. O produtor rural realiza o uso correto dos defensivos e devolve as embalagens. A indústria, os distribuidores e as cooperativas estruturam e mantêm o sistema de recebimento e destinação. O poder público estabelece as diretrizes regulatórias e acompanha seu cumprimento. E instituições como o Senar contribuem por meio da educação profissional, da assistência técnica, gerencial e da difusão de boas práticas.
Essa integração cria um ambiente de confiança e gera resultados que dificilmente seriam alcançados de forma isolada. É justamente essa capacidade de articulação que explica boa parte da competitividade da agropecuária brasileira.
O agro brasileiro sempre evoluiu quando ciência, tecnologia, educação e cooperação caminharam juntas. O Sistema Campo Limpo comprova isso de forma muito clara. O programa representa um modelo de governança baseado na responsabilidade compartilhada, que fortalece a sustentabilidade do setor e inspira novas iniciativas para os desafios que ainda teremos pela frente.
Os avanços que consolidaram o Brasil como uma potência agroambiental continuarão sendo construídos por meio do diálogo, da inovação, da capacitação e do compromisso coletivo de todos os que fazem parte da cadeia produtiva.

